Por Cidinha Medrado especial para o blog – Um questionamento enviado por um leitor acendeu um forte debate sobre o bolso do consumidor no Sertão do Araripe. Ao abastecer no Posto Ygor, localizado no distrito de Santa Rita, em Ouricuri (PE), o motorista registrou no cupom fiscal o valor de R$ 6,87 por litro da gasolina comum. Contudo, ao cruzar a região em direção ao município vizinho de Araripina (PE), deparou-se com painéis marcando o expressivo valor de R$ 7,61 pelo mesmo combustível. A diferença de R$ 0,74 por litro gerou indignação e ao leitor pergunta: por que cidades tão próximas apresentam preços tão distantes?
Bom lembrar que o ICMS sobre os combustíveis é unificado em Pernambuco, a flutuação de preços entre municípios vizinhos é uma realidade impulsionada por fatores comerciais. Especialistas do setor de energia apontam que, além do custo do frete e da distância das bases de distribuição, a “lei da oferta e da procura” e as estratégias locais de margem de lucro ditam o ritmo das bombas. Postos situados em distritos ou às margens de rodovias de grande fluxo por vezes operam com margens reduzidas para atrair frotas de caminhões e viajantes de longo curso, criando um cenário de concorrência agressiva que força os preços para baixo.
De acordo com analistas econômicos do mercado de varejo de combustíveis, as distribuidoras vendem lotes com custos variados a depender do volume de compra de cada rede de postos. “Cidades que funcionam como polos comerciais concentrados, como Araripina, costumam ter custos operacionais urbanos mais elevados, incluindo aluguéis, taxas locais e salários, fatores que acabam sendo repassados integralmente ao preço final da bomba”, explica o economista automotivo Carlos Mantovani. Ele pondera que em distritos menores ou eixos rodoviários, a estrutura mais enxuta dos estabelecimentos permite uma flexibilidade maior no repasse de descontos aos clientes.
Para o motorista do Sertão, a única saída para driblar a carestia continua sendo a pesquisa rigorosa. Em um tanque médio de 50 litros, a escolha pelo posto de menor valor resulta em uma economia direta de R$ 37,00 por abastecimento. Enquanto órgãos de defesa do consumidor, como o Procon, recomendam que os cidadãos denunciem caso suspeitem de alinhamento indevido de preços (cartel), o mercado segue operando sob o regime de livre concorrência, transformando o ato de abastecer em uma verdadeira estratégia financeira para o trabalhador.
