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Uma nova pesquisa científica busca ampliar as opções de contracepção masculina com o desenvolvimento de uma pílula de efeito rápido e temporário. Pesquisadores da Weill Cornell Medicine, nos Estados Unidos, trabalham em um medicamento que poderá bloquear a movimentação dos espermatozoides por um período de seis a oito horas, com administração prevista aproximadamente 30 minutos antes da relação sexual.
Diferentemente dos métodos atualmente disponíveis, como preservativos e vasectomia, a proposta não utiliza hormônios nem exige intervenção cirúrgica. O objetivo é impedir temporariamente que os espermatozoides se movimentem e alcancem o óvulo.
Como funciona o contraceptivo
O medicamento atua sobre a enzima adenilil ciclase solúvel (sAC), fundamental para a mobilidade dos espermatozoides. Ao bloquear sua atividade, o composto faz com que as células reprodutivas percam temporariamente a capacidade de se deslocar.
Os primeiros resultados da pesquisa foram publicados em 2023, na revista científica Nature Communications. Nos testes realizados com camundongos, uma dose do composto experimental impediu a fecundação durante o período de ação. A fertilidade dos animais foi recuperada depois que o efeito terminou.
Pesquisa avança para avaliações de segurança
Em outubro de 2026, os pesquisadores receberam US$ 8,2 milhões em financiamento do Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano dos Estados Unidos (NICHD), ligado ao NIH. O recurso será utilizado em estudos toxicológicos e avaliações de segurança, preparando o desenvolvimento do primeiro ensaio clínico de fase 1 em seres humanos.
Nessa etapa, serão investigados possíveis efeitos adversos e a duração do bloqueio da mobilidade dos espermatozoides. Também será necessário avaliar os efeitos da inibição da enzima sAC em outras partes do organismo, já que ela não está presente exclusivamente nas células reprodutivas masculinas.
Ainda não há previsão de lançamento
Apesar dos resultados iniciais, a eficácia e a segurança do contraceptivo ainda não foram comprovadas em humanos. A pesquisa precisa avançar pelas etapas de testes clínicos e passar pela avaliação das autoridades regulatórias antes de uma eventual autorização para comercialização.
Caso os estudos confirmem os resultados, a tecnologia poderá representar uma nova alternativa para o planejamento familiar, permitindo que os homens tenham uma opção contraceptiva de curta duração e uso sob demanda.
Fonte: Weill Cornell Medicine / Nature Communications / NIH
