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Assembleia Legislativa de Pernambuco tem renovação de 41% dos deputados em 2027

A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) tem uma renovação de 41% na próxima legislatura, de 2027 a 2030. Dos 49 deputados estaduais eleitos neste domingo (04), 20 não integravam a bancada escolhida há quatro anos. Isso significa que, de cada dez parlamentares eleitos, quatro são novos e seis conseguiram renovar seus mandatos. Além da mudança de nomes, as urnas provocaram uma redistribuição das forças partidárias, com o crescimento das legendas que apoiaram a reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD), eleita no 1º turno com mais de 53% dos votos.

A renovação foi menor do que a registrada nas eleições de 2022, quando chegou a 51%. Naquela disputa, apenas 24 deputados conseguiram renovar seus mandatos, enquanto as outras 25 cadeiras ficaram com novos integrantes ou ex-parlamentares que retornaram à Assembleia. Desta vez, 29 dos eleitos há quatro anos conquistaram novamente uma vaga, embora alguns tenham mudado de partido.

A renovação, entretanto, não significa a chegada de 20 estreantes à política. Entre os novos integrantes da bancada estão políticos experientes, como André Ferreira (PL), Maria Arraes (PSB) e Sebastião Oliveira (Avante), que já exerceram mandatos na Câmara dos Deputados, além de Roberta Arraes (PP), que retorna à Assembleia Legislativa.

A maior votação entre os deputados estaduais ficou com Dani Portela (PT), que recebeu 146.123 votos. Eleita pelo PSol em 2022, quando obteve 38.215 votos, a parlamentar quase quadruplicou sua votação e conquistou a primeira colocação. Gilson Machado Filho (Podemos), com 132.322 votos, e André Ferreira (PL), com 118.868, completam a lista dos três mais votados.

PSD cresce e divide liderança com o PSB

A principal mudança na distribuição das cadeiras ocorreu no PSD, partido da governadora Raquel Lyra. A legenda, que não havia elegido deputados estaduais em Pernambuco em 2022, conquistou nove vagas e dividirá com o PSB, de João Campos, a condição de maior bancada da Assembleia.

O PSB, por sua vez, perdeu quatro cadeiras em comparação com a eleição anterior, quando havia elegido 13 representantes na composição definitiva da bancada. Apesar da redução, manteve uma posição de destaque no Legislativo estadual.

Outro partido que avançou foi o Podemos, que saiu de nenhuma cadeira em 2022 para seis na nova composição. O PP terá sete deputados, um a menos que na eleição anterior. Já o PT aumentou sua representação de três para cinco parlamentares.

Entre as maiores perdas estão as do União Brasil, que passou de cinco para apenas um deputado, e as do Solidariedade, que perdeu as quatro cadeiras conquistadas em 2022. O PSDB, que havia elegido três representantes, também ficará sem bancada. O PL reduziu sua representação de cinco para três deputados.

Parte dessas mudanças, entretanto, é resultado da migração de parlamentares entre legendas. Por isso, o crescimento de determinados partidos não representa, necessariamente, a chegada de novos políticos à Assembleia.

Aliados de Raquel ficam a uma cadeira da maioria

A nova composição da Alepe também aponta para o fortalecimento dos partidos que integraram a coligação de Raquel Lyra na disputa pelo Governo de Pernambuco. Juntos, PSD, PP, Podemos, União Brasil e Avante elegeram 24 deputados estaduais, ficando a apenas uma cadeira da maioria absoluta da Casa, formada por 25 parlamentares. Durante seu primeiro mandato, a governadora enfrentou vários embates na Alepe – e com o presidente Álvaro Porto (MDB), encontrando resistência para aprovar projetos do governo.

Na eleição de 2022, essas mesmas legendas haviam conquistado 13 cadeiras. O avanço para 24 representa um crescimento de 11 deputados, embora a composição das alianças políticas tenha mudado significativamente ao longo dos últimos quatro anos.

Do outro lado, os partidos que integraram a aliança de João Campos elegeram 21 deputados. O PSB terá nove representantes, seguido pelo PT, com cinco; PV, com três; MDB, com dois; e Republicanos e PCdoB, com um deputado cada.

As quatro cadeiras restantes serão ocupadas por três deputados do PL e um do Novo. Embora não tenha integrado formalmente a coligação da governadora, o Novo declarou apoio à sua reeleição. Se considerada também essa legenda, o campo partidário que apoiou Raquel alcança 25 cadeiras, exatamente a maioria absoluta da Assembleia.

A vantagem numérica, entretanto, não significa que a governadora terá automaticamente o apoio de todos esses parlamentares nas votações. Da mesma forma, deputados eleitos por legendas que apoiaram João Campos poderão integrar a base governista.

O desafio de Raquel será transformar a força partidária conquistada nas urnas em uma maioria capaz de aprovar projetos e assegurar sustentação política ao Executivo. A formação da base parlamentar, a escolha da futura Mesa Diretora e a articulação entre os diferentes grupos políticos serão determinantes para a relação entre o governo e a Assembleia.

Mulheres ampliam participação

A nova composição também apresenta um crescimento da representação feminina. Oito mulheres foram eleitas deputadas estaduais, contra seis na eleição de 2022. A participação feminina passará de 12,2% para 16,3% das cadeiras.

Dani Portela (PT), Lara Santana (PV), Maria Arraes (PSB), Débora Almeida (PSD), Gleide Ângelo (PP), Professora Ivete Caetano (PT), Andréa Medeiros (PSD) e Roberta Arraes (PP) integrarão a próxima legislatura.

Apesar do crescimento, a presença feminina continuará bastante inferior à masculina. Dos 49 deputados eleitos, 41 são homens, o equivalente a 83,7% da Assembleia. Entre os destaques da eleição estão Dani Portela, a mais votada do estado, e Lara Santana, que conquistou a quarta maior votação, com 104.650 votos.

Com a renovação de quatro em cada dez cadeiras, a ampliação da bancada feminina e a redistribuição do poder entre os partidos, a Assembleia que emerge das urnas terá uma configuração diferente da atual. A principal mudança política, porém, está no fortalecimento das legendas ligadas à governadora, que iniciará a próxima legislatura em condições mais favoráveis para negociar sua base de sustentação.

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