Fotos: Thiago Andrade – IPC
Seis em cada dez mulheres brasileiras não realizam o exame Papanicolau, um dos principais métodos para prevenção e rastreamento do câncer do colo do útero. O dado faz parte de uma pesquisa inédita realizada neste ano pelo Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA), em parceria com o Instituto Locomotiva.
De acordo com o levantamento, 61% das mulheres entrevistadas não fizeram o exame. A pesquisa também aponta que 34% delas não se consideram integrantes do grupo de risco para cânceres ginecológicos. O resultado revela que os desafios para a prevenção vão além do acesso aos serviços de saúde e envolvem também informação e percepção sobre os riscos da doença.
O estudo teve como objetivo acompanhar a evolução do conhecimento das brasileiras sobre os tumores ginecológicos e verificar a adesão às medidas preventivas, especialmente à vacinação contra o HPV e aos exames de rastreamento.
DESINFORMAÇÃO
Embora o conhecimento sobre prevenção tenha avançado em alguns pontos em relação ao ano passado, a pesquisa mostra que ainda há dúvidas sobre a finalidade dos exames. Entre as mulheres em idade fértil, 26% afirmaram não saber por que o Papanicolau é realizado. Em 2025, esse percentual era de 29%.
Apesar da redução, os dados indicam que uma parcela significativa das mulheres ainda desconhece a importância do exame para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer do colo do útero.
A adesão aos cuidados preventivos também pode ser influenciada pelas experiências das pacientes nos serviços de saúde. Segundo o levantamento, 47% das entrevistadas afirmaram já ter deixado de retornar a uma consulta com ginecologista após receberem um atendimento considerado ruim.
Durante a pesquisa, as participantes também tiveram acesso a informações sobre o câncer do colo do útero e o HPV. Em seguida, avaliaram diferentes afirmações para indicar quais consideravam mais impactantes e com maior potencial de sensibilização.
A informação que mais chamou a atenção foi a de que cerca de 20 mulheres morrem todos os dias no Brasil em decorrência do câncer do colo do útero.
VACINAÇÃO
A vacinação contra o HPV também aparece como um ponto de atenção. De acordo com o levantamento, 39% das mulheres entre 18 e 45 anos não foram vacinadas ou não se lembram de ter recebido a imunização.
Entre as que não tomaram a vacina, o principal motivo apontado foi a percepção de que a imunização não seria indicada para a faixa etária em que estão. Para os responsáveis pelo estudo, o resultado reforça a necessidade de ampliar as informações sobre a vacinação também entre mulheres adultas.
Por outro lado, aumentou o conhecimento declarado sobre a importância da imunização. Em 2026, 44% das entrevistadas disseram saber da importância da vacina contra o HPV, contra 38% no levantamento anterior.
A pesquisa também mostra que parte das mulheres ainda não relaciona a infecção pelo HPV ao desenvolvimento de câncer. Essa falta de associação pode contribuir para a baixa percepção de risco e dificultar a adesão às medidas de prevenção.
