Desde o primeiro dia em que a bola rolou pela partida entre o anfitrião México e a África do Sul na Copa do Mundo, brasileiros gastaram impressionantes 852 milhões de reais em apostas esportivas online. No centro de uma polêmica com o governo, que endureceu regras de publicidade e investiga a Cazé TV por supostas irregularidades no anúncio de bets durante a transmissão dos jogos, a jogatina mobilizou 38% do país em apostas. Os dados são da fintech Klavi, que monitora diariamente o volume de palpites dos brasileiros desde o início do Mundial.
Apenas no confronto entre Brasil e Marrocos ainda pela fase de grupos, a cota média dos apostadores foi de 524 reais, quase 300% acima do valor das apostas diárias fora do período do campeonato, que é de 188 reais. Com o Brasil eliminado, o patamar médio do gasto em bets diminuiu consideravelmente. Neste sábado, 11, quando nossa arquirrival Argentina confirmou a vitória contra a Suíça com um golaço de Lautaro Martínez na prorrogação, em média foram enviados 191 reais por pessoa para casas de aposta.
Entre os apostadores, a maioria é homem (68%) e de perfil classificado pela Klavi como de renda alta (13%). De acordo com a fintech, 7,1% dos brasileiros transferiram dinheiro pelo menos uma vez para bets no sábado, o que totalizou 16,1 milhões de reais. Em um indicativo de que o volume de apostas é diretamente proporcional ao desempenho da seleção de Carlo Ancelotti, a cifra é 14% abaixo do normal. Antes da Copa, a média de apostas diárias chegava a 18,8 milhões de reais.
Sob o argumento de que era preciso promover justiça tributária mas de olho na melhoria das contas públicas, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad coordenou, no terceiro mandato do presidente Lula, a regulamentação das bets no país e fixou outorga de 30 milhões de reais para as empresas funcionarem legalmente no Brasil. De janeiro a maio, a arrecadação do governo com a tributação de apostas esportivas chegou a 5,89 bilhões de reais, 85% a mais que o mesmo período do ano passado. A ordem agora é fechar o cerco contra as ilegais.
Do blog PE Notícias
